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Curso online de Alfabetização

8 de abril de 2014

O meu filho escreve as letras ao contrário, o que fazer?

O processo de escrita envolve vários conceitos e competências que a criança vai amadurecendo à medida que cresce e as exercita: a lateralidade, a motricidade fina, a aprendizagem dos códigos alfabético e numérico, entre outros.

Porque escrevem as crianças ao contrário? A aprendizagem da escrita deve-se a vários fatores que envolvem mecanismos motores e cognitivos.
O processo de escrita envolve vários conceitos e competências que a criança vai amadurecendo à medida que cresce e as exercita: a lateralidade (saber distinguir a direita da esquerda e noção espacial), a motricidade fina (capacidade de manipular um lápis, por exemplo), a aprendizagem dos códigos alfabético e numérico, entre outros.
Neste artigo da Drª. Ana Lúcia Hennemann encontra a resposta a esta pergunta e sugestões de jogos divertidos para fazer com o seu filho. Boa leitura!
Quando as crianças iniciam a escrita das primeiras palavras ou números, a sensação dos pais é indescritível. É um processo de autonomia, um ritual de passagem que evidencia uma nova etapa na vida da criança...
Ao compor as suas primeiras escritas as crianças mostram-se portadoras de inúmeras experiências, desejos, anseios e dinâmicas particulares de aprendizagem. Vygotsky (1998) destaca que a escrita tem significado para as crianças, desperta nelas uma necessidade intrínseca e uma tarefa necessária e relevante para a vida.
Entretanto, na medida em que esta escrita avança é comum que elas evidenciem letras ou números espelhados... algumas já estão lá por volta dos 7 anos e ainda mantém esta característica e por que será que fazem isso?
Em primeiro lugar é importante ressaltar que espelhar letras e números é normal, pois a criança está em processo de construção da escrita. Para que a criança tenha o entendimento que nós adultos temos de que a escrita inicia da esquerda para a direita (no caso da cultura ocidental), algumas noções anteriores ao papel devem ser bem trabalhadas. A aquisição da escrita é posterior à aquisição da linguagem e posterior a um nível específico de maturidade motora humana.
Conforme Esteban Levin (2002: 161), o ato da escrita em si, não depende somente do ato biológico, mas de toda uma estrutura que provém do sistema nervoso central, [...] o que escreve é um sujeito-criança, mas, para fazê-lo, necessita de sua mão, da sua orientação espacial (lateralidade), de um ritmo motor (relaxamento-contração), da postura (eixo postural), da sua tonicidade muscular (preensão fina e precisa) e do seu reconhecimento no referido ato (função imaginária).
De acordo com o manual de neurologia infantil de Diament (2005), a partir dos 7 anos a criança começa a consolidar a noção de direita e esquerda. Da mesma forma, encontra-se em fase de maturação de áreas visoespaciais, portanto é perfeitamente normal apresentar ainda algumas trocas na direção da sua escrita, pois está em processo de aprendizagem, sistematizando as suas hipóteses e consolidando noções importantes em aspectos neurobiológicos.
Porém, alguns alunos espelham palavras e frases inteiras, característica da disgrafia. No entanto, isso não significa que as crianças que espelham letras e números apresentem disgrafia. Se no final do ano, após todas as intervenções pedagógicas terem sido realizadas, com vista à “escrita correta” das palavras, deverá fazer-se uma avaliação mais detalhada.
Dehaene (2012) demonstra que a capacidade de reconhecer as figuras simétricas faz parte das competências essenciais do sistema visual, porque permite o reconhecimento dos objetos independentemente da sua orientação. Por esse motivo quando uma criança aprende a ler tem que “desaprender” a generalização em espelho para que possa compreender a diferença entre as letras “b” e “d”.

A maioria das crianças passa por uma fase de escrita em espelho tendo geralmente ultrapassada esta dificuldade por volta dos 8 anos
. Entretanto, cabe ressaltar que algumas das crianças que apresentam escrita espelhada são canhotas.
A identificação de uma imagem na sua forma simétrica, confusão esquerda-direita, também é frequente, no nosso sistema visual (Dehaene 2007).
No entanto, na sala de aula existem professores que consideram "errado" quando os alunos escrevem palavras ou números espelhados. Por isso é necessário esclarecer que, antes de se considerar certo ou errado, é necessário realizar atividades que propiciem alateralidade.
No processo de alfabetização, pais e professores, devem sempre questionar a criança sobre como poderia melhorar aquilo que fez, procurar fazê-la tomar conhecimento do que fez e como o fez, mas também como deveria fazê-lo.
Numa abordagem neurocientífica Guaresi (2009) enfatiza que:
  • A criança tem que manipular um repertório de habilidades motoras finas e complexas concomitantes com dados sensoriais (conteúdo visual), um processo que envolve muitasfunções cerebrais, tais como atençãomemóriaperceção (integração e interpretação de dados sensoriais), entre outras.
  • O processo de aprendizagem da escrita envolve, entre outros aspectos, a integração viso espacial, ou seja, visualizar o que está a ser apresentado, localizar o lápis, acomodá-lo de forma satisfatória na mão, direcioná-lo no caderno e iniciar a sequência de movimentos numa tentativa de escrita.
  • Com o tempo e o reforço das redes sinápticas correspondentes, o processo de aprendizagem da escrita será automático, ou seja, a criança não precisará de monitoramento cerebral constante para executar a tarefa e terá condições para aumentar o nível de complexidade da escrita.
Existem três domínios principais que precisam ser ensinados para que uma pessoa tenha autonomia na escrita: o domínio linguístico, o domínio gráfico e o de conceitos de letra e texto.
A escrita como um sistema organizado manifesta a nossa capacidade de simbolizar. É um processo complexo e a sua aquisição exige o domínio das várias dimensões que o compõe, por exemplo, além da segmentação, as crianças precisam adquirir no domínio gráfico, noções de esquerda para a direita, de cima para baixo.

Artigo original: Ana Lúcia Hennemann, 5 de abril de 2013

Professora – Neuropsicopedagoga (CENSUPEG), Especialista em Educação Inclusiva (CENSUPEG), Especialista em Alfabetização (UNICID) e Estudante de Psicologia (FEEVALE)

***Fonte: http://www.maemequer.pt

26 de março de 2014

A hora da roda


Na tentativa de fazermos da escola um espaço menos “marchoso” e mais dançante, a roda é a ciranda do aprendizado

De todas as atividades de sala de aula, a hora da roda pode ser a mais importante. Na roda, o professor recebe as crianças, proporcionando sensações como acolhimento, segurança e de se sentir parte integrante daquele grupo . Ela é considerada como um momento de liberdade de expressão das crianças, de comunicação, de recados, rotinas do dia, os professores não se apercebem, da riqueza de oportunidades de conhecimento e desenvolvimento, que este encontro oferece.

Momento da coletividade. Da afirmação de que estamos a viver em grupo. Hora da escuta, de se mobilizar pelas questões dos outros, pelas narrativas do grupo. Momento de trocas de ideias. Da oralidade. De fazer memória, de contar histórias. Na roda, cada um disposto a se olhar. A se enxergar para além daquilo que a correria do cotidiano impõe. É um momento de reflexão coletiva. De perceber que a cultura está presente naquilo que somos e nos tornamos. É o momento de entender que somos compostos pela fala dos outros. É o momento de experimentarmos o que sabemos na escuta dos demais.

Em roda, as crianças se dispõem ao saber. Percebem que o professor está presente, não só de corpo, mas com tudo o que envolve a vida de um educador: pesquisas, gostos, desejos de mudança. Percebem que os saberes podem ser experimentados de maneira mais leve. Percebem as sequências dos dias. Olham para o lado para ver quem veio e quem não está lá. Combinam. Entendem regras de convívio em grupo. Debatem. Discutem os incômodos singulares em busca de um entendimento de que as regras valem para todos. Falam do que gostam, do que podem. Afirmam a voz como instrumento de organização da rotina. Planejam, avaliam.

Na roda, o educador pode desenvolver atividades que estimulam a construção do conhecimento acerca de diversos códigos e linguagens, como, por exemplo, marcação do dia no calendário, brincadeiras com crachás contendo os nomes das crianças, jogos dos mais diversos tipos (visando apresentá-los às crianças para que, depois, possam brincar sozinhas) e outras. Também na roda deverão ser feitas discussões acerca dos projetos que estão sendo trabalhados pela classe, além de se apresentar às crianças as atividades do dia, abrindo, também, um espaço para que elas possam participar do planejamento diário.

Inspiração! É na roda que as inspirações acontecem. Na roda, os assuntos são abordados, discutidos, trabalhados. Os temas, os projetos, os conteúdos. Conhecimentos que ganham força quando frequentados por cada um. A roda é a responsável por costurar os saberes externos aos saberes internos. O que está fora de nós, como uma história, e o que está dentro, a nossa história, com os nossos afetos. Aprende-se mais em roda por isso!

      E, nessa tentativa de fazermos da escola um espaço menos “marchoso” e mais dançante, a roda é a ciranda do aprendizado. É a dança de passos leves que todo saber deveria nos provocar. Aprender é isso: um baile que te convida a voar!