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A produção de texto em situações de escrita coletiva: o que as crianças podem aprender com essa proposta?


Ana Carolina Perrusi Brandão
Ester Calland de Sousa Rosa



A produção de texto coletivo é uma atividade em que a interação é condição básica e acontece em duas dimensões: a interação entre o grupo que está produzindo o texto (os alunos e a professora) e a interação que o grupo estabelece com o destinatário do texto (GIRÃO; LIMA; BRANDÃO, 2007).
Diante do desafio de produzir um texto coletivamente, a criança terá, portanto, que lidar de forma interativa com o grupo de modo a construir uma unidade interlocutiva. Esse processo se constitui realmente quando a professora se propõe a criar um espaço de mútua colaboração e comunicação.
Assim, nos momentos de produção textual coletiva, as crianças podem tanto confrontar ideias, conhecimentos, expressar seus pensamentos, sentimentos, valores e desenvolver competências quanto selecionar e avaliar as melhores ou mais adequadas ideias/informações que deverão constar no texto. As crianças podem aprender ainda a utilizar os recursos de coesão e coerência para que o texto tenha sentido, bem como a melhorar seus textos para facilitar a compreensão do leitor, utilizando-se da revisão textual ao longo da escrita, bem como no final do escrito.
Melo e Silva (2006) ressaltam ainda que a produção coletiva de textos pode constituir-se em uma atividade especialmente interessante porque permite ao alunos observar atos de escrita do professor “e isso se torna relevante à medida que eles são expostos a um modelo mais experiente de produtor de textos, sobretudo se ele (o professor) expressa oralmente as decisões que está tomando durante a escritura do texto” (p.90).
Essas decisões podem estar relacionadas aos diversos aspectos do processo de escrita. A professora pode, então, fazer perguntas sobre o conteúdo da mensagem, a estrutura do texto e também chamar a atenção para aspectos gráficos, tais como: as letras, as palavras e a organização gráfica do texto (TEBEROSKY; RIBERA, 2004).
Assim, através dessa atividade, as crianças maiores podem ser encorajadas a explicar suas sugestões para a escrita dos textos, confrontando com as propostas dos demais colegas, bem como a identificar problemas nos textos produzidos pelo grupo, sugerindo modificações. Já as menores, ao ajudar a professora na escrita de listas, bilhetes, receitas culinárias, convites e outros gêneros, podem ser incentivadas a reconhecer aspectos da estrutura composicional de cada um deles.
Em resumo, pensando e construindo coletivamente textos ditados para a professora, 

·        as crianças aplicam conhecimentos, resolvem problemas e, sobretudo, aprendem a usar uma linguagem formal em atividades  significativas e de escrita, adequando o vocabulário, a estrutura e o conteúdo de seus textos aos objetivos perseguidos.

·       A partir de observar, participar no procedimento, perseguir propósitos e elaborar um texto de forma compartilhada, os meninos e as meninas aprendem aspectos da linguagem escrita que não poderiam aprender com a simples cópia de resultado final (TEBEROSKY; RIBERA, 2004, p.64).

A produção de textos coletivos constitui o desafio de produzir um texto oral com destino escrito. Nesse sentido, é importante frisar que o papel de escriba é desempenhado pelo professor, mas a tarefa de produzir o texto é de todos. Em outras palavras, concebemos que as crianças são produtoras de textos escritos, ainda que façam isso oralmente. Para tanto, é fundamental que elas participem ativamente, sugerindo a inclusão de certas informações no texto, fazendo acordos sobre o conteúdo do texto e argumentando a favor da proposta que lhes parece mais adequada.
Em síntese, concordamos com Curto, Morillo e Teixidó (2000, p.49), quando afirmam que


[...] esperar que possam escrever perfeitamente por si próprias pressupõe uma enorme perda de tempo. Desde os três anos as crianças podem perfeitamente elaborar uma carta, uma notícia, uma mensagem, uma descrição, etc. Podem escrevê-las por si mesmas ou servindo-se do professor, que age, nesse caso, como secretário ou escrivão. Mas são os alunos que constroem o texto, os verdadeiros autores, que pensaram a melhor forma de expressar a mensagem que querem transmitir. 



Ler e escrever na Educação Infantil
Discutindo práticas pedagógicas 
autêntica editora

Brincando de encenar




As brincadeiras de faz de conta podem ser incentivadas pelos profissionais de Educação Infantil quando colocam à disposição das crianças um espaço especialmente concebido para as brincadeiras de encenação, o “cantinho do faz de conta”. Neste espaço deve haver objetos que estimulem o desenvolvimento das capacidades de imaginação e representação simbólica da criança, como roupas, sapatos, fantasias, chapéus, lenços e outros adereços que dão forma à representação de personagens reais ou imaginários, além de jornais, livros, blocos de anotações, dentre outros suportes textuais. Essas brincadeiras podem se tornar atividade permanente na rotina de todas as salas de Educação Infantil e devem ser incentivadas quando as crianças tiverem vontade de brincar de fazer de conta que são outras pessoas.
Além de colocar à disposição das crianças objetos para as brincadeiras de encenar, o profissional de Educação Infantil também pode favorecer e propiciar tal atividade, sugerindo que as crianças encenem determinadas situações do dia a dia, como uma consulta médica, uma aula ou uma viagem de ônibus ou de avião, resguardando-se, no entanto, o direito da criança de não brincar, caso não se sinta motivada a participar de tal brincadeira.
É importante, no entanto, que não se confundam tais brincadeiras com dramatizações, uma vez que estas “se caracterizam pela reprodução de um argumento prévio, que funciona com uma espécie de guia” (MARTINS, 2008, p.60).

Ao brincar, a criança aprende “sobre si mesma e sobre os homens e suas relações no mundo, e também, sobre os significados culturais do meio em que está inserida” (BORBA, 2009, p.70).